Balonismo no Brasil: entre o sonho e o risco

Data de atualização: 27 de março de 2026

Voar de balão é uma experiência inesquecível no turismo de aventura. O Brasil é um dos destinos mais procurados para realizar esse tipo de passeio, cidades do sudeste e sul do país concentram os maiores polos de balonismo. A possibilidade de ver a vista do alto e aproveitar o clima de celebração que fazem dessa atividade um verdadeiro sonho para muitos turistas

Mas por trás de toda atividade, existe uma realidade pouco discutida: a fragilidade do sistema de segurança que, neste caso, regula o balonismo no Brasil.

Erros evitáveis transformam voos turísticos em tragédias anunciadas

Diversos casos são debatidos na mídia, um dos casos ocorreu em Capela do Alto, interior de São Paulo, o balão transportava 35 pessoas incluindo 33 passageiros,o piloto e o auxiliar.

O acidente resultou na morte de uma mulher que foi socorrida em estado grave e não resistiu aos ferimentos, outras 11 pessoas foram encaminhadas ao hospital com ferimentos leves.

Outro caso chocante foi a morte de 8 pessoas durante um passeio de balão pela Praia Grande (SC). O acidente aconteceu devido a um incêndio em um equipamento que provocou a queda do veículo.

O que é balonismo e como é regulamentado no Brasil?

O balonismo é considerado uma atividade de turismo de aventura e, por isso, deve seguir exigências técnicas e operacionais específicas. No Brasil, ele é regulamentado por diferentes órgãos e normas, entre eles:

Lei Geral do Turismo – Decreto nº 7.381/2010: O Brasil tem um decreto que obriga empresas de turismo de aventura — como as que operam voos de balão.

ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil): responsável por autorizar e fiscalizar as operações aéreas.

Norma ABNT NBR ISO 21.101: estabelece o Sistema de Gestão da Segurança em atividades de turismo de aventura. É obrigatória desde 2010, segundo a Lei Geral do Turismo.

A base legal já existe, e não é opcional.

O problema é que a fiscalização é fraca, o cumprimento das normas é raro e muitas empresas sequer sabem que elas existem. Resultado: vidas são colocadas em risco em voos que deveriam ser seguros

É um cenário em que a gestão de crise substitui a gestão de riscos e o preço é pago em vidas.

Nos solidarizamos profundamente com todas as vítimas e famílias afetadas pelos recentes acidentes. Mas é preciso ir além da comoção: é hora de agir.

O balonismo deve continuar a encantar. Mas só será possível se a segurança deixar de ser promessa e passar a ser prática obrigatória.

Segurança não é opcional. É o essencial.