Segurança na água: prevenção é essencial para evitar afogamentos

Data de atualização: 29 de abril de 2026

Texto: Larissa Rodrigues

Entenda os fatores de risco, os cuidados essenciais e como agir em situações de emergência dentro e fora da água.

Boia de salvamento em área aquática: equipamentos simples podem ajudar a evitar afogamentos. Imagem: photoangel/Freepik

O afogamento está entre as principais causas de mortes no Brasil e, muitas vezes, acontece de forma rápida e silenciosa. Praias, rios e piscinas, comuns em momentos de lazer, também podem representar riscos quando não há informação ou prevenção.

Afogamento no Brasil: um problema frequente e silencioso

Com base no levantamento feito pela SOBRASA (Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático) no ano de 2024, a cada 90 minutos um brasileiro morre afogado. Isso equivale a 5.742 ao ano. Os dados evidenciam que a maior parte dos casos ocorrem em ambientes naturais, como rios, lagos e represas, que concentram a maioria das ocorrências e apresentam riscos como correntezas, profundidade irregular e menor presença de supervisão.

Demais ambientes como praias e piscinas, também registaram casos, embora em menor proporção. A distribuição dos afogamentos por tipo de ambiente pode ser observada no gráfico a seguir que ilustra onde esses acidentes acontecem com mais frequência.

Diante desse cenário, a Férias Vivas reforça a importância de ampliar o acesso à informação como medida preventiva, especialmente em períodos de lazer e viagens, quando muitas pessoas se expõem a ambientes aquáticos sem conhecer os riscos.

Além do ambiente, as circunstâncias em que os acidentes ocorrem também revelam padrões importantes nos casos de afogamento. Segundo o RBAT (Relatório Brasileiro de acidentes no Turismo), registro criado pela Associação Férias Vivas que monitora as ocorrências no Turismo, indica que muitos acidentes em ambientes aquáticos e de lazer estão associados menos a fatalidade imprevisível e mais falhas preveníveis. O levantamento aponta recorrência de negligência na prestação de serviços, ausência de sinalização de risco e falta de equipamentos de proteção, fatores que amplia a vulnerabilidade dos usuários e reforçam que a prevenção dependem também de estruturas seguras e informação adequada.

Em relação à idade, os dados indicam que crianças e adolescentes também estão entre os grupos mais vulneráveis. Estima-se que, diariamente, quatro crianças e dois adolescentes percam a vida por afogamento, o que reforça a importância da supervisão constante e de medidas preventivas nesses públicos. Além disso, uma parcela significativa das mortes ocorre entre pessoas com menos de 29 anos, evidenciando o impacto do problema entre os mais jovens.

Comportamento de risco e falsa sensação de segurança

Um dos principais desafios, segundo David Szpilman, Secretário Geral da SOBRASA, é a percepção equivocada de risco. Muitas pessoas acreditam que o afogamento é um problema distante, que acontece com os outros, e não com elas, o que contribui diretamente para o aumento dos casos.

“Saber nadar em uma piscina não significa estar preparado para outros ambientes, como rios ou o mar”, destaca o especialista.

Essa falsa sensação de segurança também é um dos pontos observados pela Férias Vivas, que ressalta a importância de informar continuamente sobre os perigos presentes em praias, rios e piscinas, inclusive em situações aparentemente controladas.

Como prevenir afogamentos?

Adotar medidas simples e responsáveis pode fazer toda a diferença na prevenção de acidentes em ambientes aquáticos:

  • Evite entrar na água sozinho, especialmente em locais desconhecidos
  • Respeite sempre as sinalizações e orientações de segurança do local
  • Evite o consumo de bebidas alcoólicas antes ou durante atividades aquáticas
  • Mantenha supervisão constante de crianças e adolescentes próximos à água
  • Utilize equipamentos de segurança, como colete salva-vidas, sempre que necessário
  • Evite áreas com correnteza, mar agitado ou profundidade desconhecida
  • Busque informações sobre as condições do local antes de entrar na água
  • Dê preferência a locais com presença de guarda-vidas
  • Reconheça seus limites e evite superestimar sua capacidade de nado
  • Ao perceber sinais de cansaço, saia da água imediatamente

Como agir em uma situação de risco?

Quando a prevenção falha, agir corretamente pode evitar uma tragédia ainda maior. A principal orientação é NÃO entrar na água para tentar salvar alguém sem preparo, já que isso pode transformar uma vítima em duas.

“O ideal é acionar o resgate e tentar ajudar de fora, oferecendo algo que flutue, como cordas, garrafas ou pranchas, para que a pessoa consiga se manter na superfície até a chegada de um profissional”, orienta Szpilman.

Além da orientação para acionar o resgate e evitar entrar na água sem preparo, especialistas e iniciativas de conscientização reforçam que saber reconhecer sinais de perigo e adotar medidas preventivas antes da emergência continuam sendo a forma mais eficaz de proteção.

Prevenir é salvar

A prevenção continua sendo a forma mais eficaz de reduzir os afogamentos. Como destaca o especialista, a maioria das situações pode ser evitada com informação e atitudes seguras.

Locais como hotéis, clubes e academias devem redobrar a atenção, especialmente em áreas com piscina, já que crianças principalmente entre 5 e 9 anos, estão entre os grupos mais vulneráveis.

“Prevenir é salvar. Quando você previne, você salva essa vida. Educar para não se afogar é fundamental, porque é através da educação que a gente evita os afogamentos”.

Esse compromisso com a prevenção também é defendido pela Férias Vivas, que destaca a informação como aliada na proteção da vida. Ao promover conteúdos educativos e ampliar a conscientização sobre segurança na água, a organização convida a sociedade a se engajar na causa e contribuir para um turismo mais responsável e seguro.

Esse compromisso com a prevenção também é defendido pela Férias Vivas, que destaca a informação como aliada na proteção da vida. Ao promover conteúdos educativos e ampliar a conscientização sobre segurança na água, a organização convida a sociedade a se engajar na causa e contribuir para um turismo mais responsável e seguro.

Sobre a consultoria

Silvia Basile

Constituímos, em 2002, a Associação Férias Vivas que já trabalhou na elaboração de mais de 40 Normas Técnicas ABNT NBR de Turismo de Aventura. Junto com embaixadores e parceiros, criamos assim padrões de qualidade e segurança nas atividades de turismo no Brasil. Em 20 anos de atuação na área de conscientização e prevenção de acidentes no turismo, esta vivência proporcionou aos consultores da Associação Férias Vivas a capacidade analítica e a experiência prática para a implantação de projetos de gerenciamento de risco em destinos de turismo. Nossa articulação com o setor público se faz eficaz ao comprovar que iniciativas de sensibilização e gestão da segurança são essenciais para o desenvolvimento responsável do turismo.

  • sbasile@feriasvivas.org.br