Balonismo no Brasil: entre o sonho e o risco

Voar de balão é uma experiências inesquecível no turismo de aventura. A paisagem vista do alto e o clima de celebração fazem dessa atividade um verdadeiro sonho para muitos turistas.
Mas por trás de toda atividade, existe uma realidade pouco discutida: a fragilidade do sistema de segurança que, neste caso, regula o balonismo no Brasil.
Nos últimos dias, dois acidentes fatais com balões trouxeram à tona a urgência de repensar como essa prática está sendo conduzida em território nacional. Não se trata de eventos isolados, mas de um alerta que não pode mais ser ignorado.

O que é balonismo e como é regulamentado no Brasil?
O balonismo é considerado uma atividade de turismo de aventura e, por isso, deve seguir exigências técnicas e operacionais específicas. No Brasil, ele é regulamentado por diferentes órgãos e normas, entre eles:
Lei Geral do Turismo – Decreto nº 7.381/2010: O Brasil tem um decreto que obriga empresas de turismo de aventura — como as que operam voos de balão.
ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil): responsável por autorizar e fiscalizar as operações aéreas.
Norma ABNT NBR ISO 21.101: estabelece o Sistema de Gestão da Segurança em atividades de turismo de aventura. É obrigatória desde 2010, segundo a Lei Geral do Turismo.
A base legal já existe, e não é opcional.
O problema é que a fiscalização é fraca, o cumprimento das normas é raro e muitas empresas sequer sabem que elas existem. Resultado: vidas são colocadas em risco em voos que deveriam ser seguros
Dois acidentes em uma semana: o que aconteceu?
Nos dias 15 e 21 de junho de 2025, dois acidentes graves envolvendo balões reacenderam as preocupações sobre a segurança dessa atividade no Brasil. Os casos ocorreram em Boituva (SP) e Praia Grande (SC), regiões conhecidas pela prática do balonismo, mas que agora enfrentam questionamentos sérios quanto à regulamentação e fiscalização do setor.
Em Boituva (SP), Juliana Pereira, de 27 anos, perdeu a vida e outras 11 pessoas ficaram feridas após um voo que desrespeitou as condições climáticas e foi realizado sem autorização formal da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC). O episódio expôs negligências que poderiam ter sido evitadas com o cumprimento das normas de segurança.
Já em Praia Grande (SC), o cenário foi ainda mais trágico: um balão pegou fogo durante o voo, provocando a morte de oito pessoas e deixando 13 feridas. As investigações preliminares apontam falhas técnicas no equipamento, além de possíveis erros operacionais.
Apesar de ocorrerem em contextos distintos, ambos os acidentes têm um ponto em comum: erros humanos e operacionais que poderiam ter sido evitados, mas que acabaram por colocar essas vidas em risco.

É um cenário em que a gestão de crise substitui a gestão de riscos e o preço é pago em vidas.
Nos solidarizamos profundamente com todas as vítimas e famílias afetadas pelos recentes acidentes. Mas é preciso ir além da comoção: é hora de agir.
O balonismo deve continuar a encantar. Mas só será possível se a segurança deixar de ser promessa e passar a ser prática obrigatória.
Segurança não é opcional. É o essencial.