ASSOCIAÇÕES DE GUIAS E CONDUTORES DE TURISMO

Data de atualização: 7 de Maio de 2026

“O associativismo possibilita que possamos formar uma rede de profissionais treinados, atuando na maioria das vezes em ambiente remoto, levando a uma resposta rápida em situações de risco. Além, é claro, que as formações externas e internas da entidade qualificam os associados para prevenção de acidentes e não somente atendimento a ocorrências.”

Paulinho Medeiros, Associação de Visitantes do Vale do Capão

Para que seu destino turístico seja reconhecido como excepcional não basta contar apenas com belas paisagens. A qualidade dos serviços oferecidos é um fator determinante para a experiência do visitante. Por isso, é fundamental investir em aspectos que qualifiquem a atuação dos profissionais envolvidos e a estrutura local. A formação de um grupo de profissionais capacitados é essencial para garantir a qualidade das atividades oferecidas e destacar o destino turístico em meio à concorrência. Esses profissionais são responsáveis por assegurar não apenas a condução das atividades, mas também a segurança e a experiência dos visitantes, mas também a segurança e a experiência dos visitantes. As Associações de Guias e Condutores de Turismo são essenciais para isso! A ACV-VC na Chapada Diamantina, por exemplo, conta com uma brigada voluntária que realiza ações de busca e salvamento em ambientes remotos, sendo de grande contribuição para a segurança dos visitantes.

As associações têm como principal objetivo garantir uma representatividade ativa e efetiva, capaz de gerar impactos positivos nos âmbitos social, político, ambiental e econômico, fortalecendo tanto os profissionais quanto o desenvolvimento o destino turístico.

Atuando como importantes parcerias das secretarias municipais de turismo, as associações de guia e condutores desempenham um papel estratégico na defesa de interesses coletivos. Entre suas principais ações estão a proteção do patrimônio local, a promoção de cursos de capacitação, o incentivo à educação ambiental e a realização de atividades voltadas ao desenvolvimento sustentável do turismo.

VOCÊ CONHECE OS CONDUTORES E GUIAS DO SEU DESTINO?

O guia e o condutor de turismo além de informar os visitantes sobre os atrativos, desempenham um papel importante na promoção da sustentabilidade local e na valorização da cultura regional. Sua atuação contribui para a preservação ambiental e para uma experiência turística mais consciente.

É um trabalho requer muita responsabilidade, uma vez que os turistas confiam em seu trabalho para que possam aproveitar um momento de lazer em segurança.

Em atividades de turismo de aventura, como trilhas e explorações em ambientes naturais, a contratação de um guia de turismo certificado ou de um condutor capacitado localmente é essencial. Esses profissionais são responsáveis por planejar orientar e monitorar toda a atividades, garantindo segurança e organização ao grupo. Você conhece a diferença entre esses dois profissionais?

O guia de turismo é um profissional que auxilia na organização da viagem, além de cuidar da condução dos turistas entre o local de origem ou aeroporto, até os diversos atrativos naturais, hotéis, museus, restaurantes e outros locais. Já o condutor é o profissional e que entre outros requisitos conhece os caminhos no atrativo natural.

Os condutores devem receber treinamento específico para cada tipo de atividade, fornecendo serviços personalizados de acordo com o destino em questão.

CONHEÇA A LEGISLAÇÃO

A regulamentação da profissão de guia de turismo e de condutor de visitantes é diferente:

Para que um profissional se torne guia de turismo é preciso atender a alguns requisitos de capacitação e de registro formal junto ao Ministério de Turismo determinados pela Lei 8.623 de 1993.

E os guias informais? O exercício da profissão de guia de maneira irregular infelizmente ainda é comum em alguns destinos brasileiros, mas tal prática além de arriscada para o turista e para a imagem do destino turístico, oferece um risco de grande penalização para o infrator. Os chamados guias piratas são enquadrados no crime específico de falsidade ideológica.

Inclusive é também infração o exercício da profissão sem portar visivelmente o crachá de identificação.

As denúncias podem ser encaminhadas à Ouvidoria do Ministério do Turismo, aos escritórios regionais, às Delegacias de Turismo (presentes em alguns estados brasileiros), às Delegacias da Polícia Civil ou no Juizado Especial Criminal. O Ministério Público também pode ser acionado, principalmente nos casos de denúncias contra empresas que contratam guias irregulares, ou seja, sem o CADASTUR.

Já o condutor de visitantes obteve o reconhecimento da sua profissão em 2015, um marco de profissionalização recebido com grande comemoração pelo setor. O cadastramento dos condutores junto às unidades de conservação ou às secretarias municipais de turismo é essencial para a profissionalização desta prestação de serviço.

Além de guiar e conduzir, os profissionais de turismo devem zelar pela SEGURANÇA de seus clientes, acompanhando, orientando, e verificando o bem-estar a todo momento. Nesse sentido, o papel da associação de guias e condutores de visitantes é o de cadastrar e capacitar estes profissionais locais dentro das competências e protocolos necessários para a boa conduta da visitação.

 

COMO GARANTIR UM DESTINO TURÍSTICO DE EXCELÊNCIA POR MEIO DA CAPACITAÇÃO?

Entrevista com Luis Marcelo Rodrigues

Como vimos, estabelecer associações que visem representar grupos de guias e condutores demonstra responsabilidade com os visitantes de seu município. Padronizar serviços e identificar os profissionais atuantes na atividade turística é essencial para começar esse processo.

Para entendermos melhor sobre a formação de condutores, entrevistamos Luis Marcelo Rodrigues, Instrutor e Consultor da Nomas - Descobrir é Preciso e embaixador da Férias Vivas com larga experiência em projetos de implementação do Sistema de Gestão da Segurança para Turismo de Aventura.

Segundo Luís Marcelo, os protocolos são instrumentos fundamentais para a padronização de processos em organizações que atuam com turismo de natureza e aventura. Esses documentos reúnem diretrizes administrativas e operacionais, contribuindo para uma atuação mais segura e organizada

De forma geral, destacam-se como competências fundamentais de um condutor o domínio de conhecimentos culturais e ambientais relacionados à atividade desenvolvida, aliado à aplicação de práticas básicas de segurança, essenciais para garantir uma experiência segura e qualificada aos visitantes.

Esses profissionais devem possuir conhecimento sobre a história e as raízes culturais da região em que atuam, permitindo oferecer uma experiência mais rica e significativa aos visitantes. Esse repertório contribui para uma abordagem mais interpretativas valoriza os aspectos culturais do destino. De acordo com Luís, o conhecimento sobre a fauna e flora local são essenciais em ambientes onde o principal produto é a natureza. A interpretação agracia o participante em atividades de ecoturismo.

A adoção de práticas de segurança é um elemento indispensável na formação de um condutor, sendo fundamental para a prevenção de acidentes e para a garantia da integridade física dos participantes durante as atividades.

Espera-se que as informações fornecidas no momento da comercialização dos serviços sejam claros, objetivos e transparentes, permitindo aos visitantes compreender as condições da atividades avalia a sua aptidão. A ferramenta de briefing identifica se o visitante é apto para a realização dessa atividade ou não.



Curso de Competências Básicas do Condutor de Turismo de Aventura, ministrado pelo Luis, visa a capacitação de recursos humanos para os segmentos de Ecoturismo, Turismo de Aventura e Turismo Rural, alinhado com as normas técnicas da ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas e ISO - Organização Internacional de Normalização. No curso é ensinado o desenvolvimento dos protocolos de conduta de maneira detalhada.

E O QUE SÃO ESSES PROTOCOLOS?

Luis Marcelo explica que os protocolos são documentos extremamente importantes para padronização de processos dentro de uma organização pública ou privada que oferecem atividades de ecoturismo ou turismo de aventura. Estes descrevem procedimentos administrativos e/ou operacionais em um só documento.

  • Procedimentos administrativos incentivam a segurança por meio do controle da infraestrutura, recursos humanos e atendimento a clientes.
  • Procedimentos operacionais incentivam a segurança por meio de execução de ações preventivas e corretivas e manutenção de equipamentos e materiais.

Não menos importante, os protocolos descrevem ações preliminares à atividade, como detalhamento da mesma, por exemplo: o que tipo de vestimenta e equipamentos a serem usados, condição física e faixa etária compatível, perigos e riscos inerentes, retenção e análise de informações dos participantes, entre outros.

Os protocolos devem descrever processos práticos da preleção (informações preliminares antes da atividade), como cuidados que devem ser informados aos participantes de maneira detalhada e clara, métodos de condução e grau de risco durante a atividade.

É fundamental que esses protocolos estejam devidamente documentados, possibilitando o monitoramento contínuo das atividades e contribuindo para a melhoria dos processos e da segurança operacional. Vale lembrar que os protocolos são “vivos”. Eles devem ser revisados sempre, gerando um processo de melhoria contínua na oferta dos produtos e serviços.

EXPERIÊNCIA REAL | Associação de Guias do Quilombo Kalunga

Em 2019, um caso acompanhado pela Associação Férias Vivas colocou a conduta de um dos condutores associados em questão. Ele abandonou na trilha duas turistas machucadas, em um local que elas não conheciam após um acidente de proporções leves, para poder acompanhar o resto do grupo de volta à base, mas nunca voltou para resgatá-las. Quando um acidente ocorre, o guia ou condutor deve ser o primeiro a prestar socorros no local e precisa estar ciente de suas responsabilidades perante o cliente. Isso nem sempre é fácil.

Graças ao importante papel da Associação de Guias do Quilombo Kalunga, esse caso não caiu no esquecimento. Referência local na capacitação desses profissionais, a associação teve um papel importante ao levar esta ocorrência para discussão com o grupo de associados e trabalhar na sensibilização e capacitação dos condutores, reciclando conhecimentos importantes de gestão da segurança.

Entre os principais esforços da Associação de Guias do Quilombo Kalunga está qualificar profissionalmente e trazer mais segurança para o visitante. No site da organização vemos o relato da presidente Izabel Maia que resume bem este papel: “O turismo auxilia no desenvolvimento, mas precisamos ter condições e conhecimento para oferecer ao visitante um passeio com história, cultura, serviços e estrutura de qualidade. Não se trata de mostrar o caminho da cachoeira, isso é fácil. Se trata de poder conduzir com ética, respeito, segurança e informação”.

Os cursos são oferecidos há anos gratuitamente por meio de patrocínios e apoio de voluntários. A formação é extensa, com duração total de pelo menos 160 horas, e inclui na grade curricular conhecimentos sobre o Sistema Nacional de Unidades de Conservação, o ICMBio, história e geografia regional, turismo e sustentabilidade, normas do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, legislação ambiental e voltada para o turismo, técnicas de condução, interpretação ambiental, monitoramento de impactos, gestão de segurança, primeiros socorros e história e cultura Kalunga, entre outros. Para enriquecer o debate sobre gestão de riscos, oficiais do Corpo de Bombeiros Militar de Goiás também participam para ministrar palestras e oficinas práticas.

As associações locais também desempenham um papel relevante na conscientização dos turistas, especialmente ao incentivar a contratação de profissionais capacitados e ao promover práticas responsáveis durante a visitação. Afinal, até mesmo pessoas que já são acostumadas a fazer trilhas podem se perder ou visitar sem saber áreas perigosas, mergulhar em cachoeiras com correntezas e sofrer algum acidente durante a atividade.

EXPERIÊNCIA REAL | Associação de Guias do Turismo do Parque Nacional do Catimbau

Agora veremos como o apoio das secretarias (ou a falta dele) impacta diretamente nos obstáculos enfrentados pela associações de guias e condutores locais.

Como exemplo real nós podemos acompanhar o caso da Associação de Guias do Turismo do Parque Nacional do Catimbau (AGTURC) através do artigo de estudo desenvolvido por Josilene Henriques Da Silva, Maria Luiza Lins e Silva Pires. Este estudo procura revelar não apenas aspectos de organização em torno da atividade turística desenvolvida no PNC, mas também as dificuldades enfrentadas por esta associação.

“O Parque Nacional do Catimbau (PNC) foi criado por meio do Decreto de 13 de dezembro de 2002, envolvendo parte de Ibimirim, Tupanatinga e Buíque, no interior do estado de Pernambuco.”

A partir do entendimento que o PNC possuía potencial turístico, os moradores do distrito do Catimbau perceberam a necessidade da criação do AGTURC em 2002. Essa iniciativa contou com o apoio de instituições como o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE), responsáveis também pela capacitação dos condutores.

A AGTURC foi, então, criada com o objetivo de organizar a atividade de condução de visitantes na área do Vale do Catimbau, zelando pela conservação das condições ecológicas e ambientais do Parque e favorecendo a formação de renda para a comunidade, como descrito no seu estatuto. Contudo, os moradores relatam ter encontrado dificuldades no processo inicial de estabelecimento de equipe, devido ao distanciamento do poder público, a precariedade da infraestrutura logística da associação e a administração de poucos recursos, o que causou a diminuição do número de visitantes no parque.

Segundos as pesquisadoras, “o descuido com que o poder público local, estadual e federal vem lidando com o PNC, apesar do seu reconhecido valor, tem refletido na precariedade de sua infraestrutura, dificultando o estímulo à visitação e, por conseguinte, o aproveitamento do turismo como fonte de renda e melhoria da qualidade de vida para os moradores de Buíque.”

QUAL O PAPEL DA SECRETARIA MUNICIPAL DE TURISMO NESSE PROCESSO?

Dentre as diversas responsabilidades que a equipe da Secretaria Municipal de Turismo tem em seu dia a dia, destacamos que ouvir as expectativas e os desafios dos profissionais de turismo é uma prática que merece uma atenção especial.

É nesse momento que se consegue identificar as demandas mais urgentes e identificar quais são os profissionais com perfil de liderança alinhados com o projeto de desenvolvimento do turismo local. E como um destino turístico não se constrói apenas com hotéis e restaurantes, ouvir os guias e condutores deve estar entre as suas prioridades.

Para aproveitar todo o potencial dos guias e condutores locais, é fundamental que as Secretarias de turismo adotem estratégias de valorização profissional, reconhecendo a importância desses agentes para a qualidade e segurança da experiência turística. Uma solução muito buscada nesse sentido e que tem mostrado seu valor são iniciativas de capacitação subsidiadas pelo poder público.

Ações de profissionalização possuem um efeito duplo tanto para os guias como para o destino:

  • Capacitados, os guias e condutores oferecem um serviço com maior valor percebido e podem aumentar sua renda.
  • Ao mesmo tempo, a qualidade do guiamento gera fidelização. Um destino com melhor nível de serviços irá atrair mais visitantes, o que faz crescer o mercado turístico como um todo.

E COMO A ASSOCIAÇÃO FÉRIAS VIVAS PODE AJUDAR?

A Associação Férias Vivas coloca em pauta argumentos para trabalhar a segurança e a prevenção de acidentes incentivando cada ator local a entregar o seu melhor em termos de preparação técnica e empatia profissional. O trabalho em rede é colocado como estratégia para chegar na excelência da experiência turística e vemos como cada profissional pode contribuir e muito nesse processo. Sensibilizados, os condutores locais são convidados a se capacitar pela Secretaria Municipal de Turismo, em um processo rico em troca de aprendizagens e de alinhamento de uma conduta local padronizada com foco em qualidade e segurança. Dentro de uma estratégia completa, a rede engajada de profissionais tem como resultado deste alinhamento a criação de protocolos que irão nortear a conduta profissional daqui para frente. Como chave de ouro, cabe à Secretaria Municipal de Turismo formalizar todo esse processo com a regulamentação em lei da Associação de guias e condutores locais.

Nós da AFV Consultoria podemos ajudar no processo de integração dos guias e condutores do seu destino, juntamente com a estratégia de segurança turística de acordo com sua necessidade específica. A adoção dessas estratégias permite identifica vulnerabilidade, fortalece a comunicação entre os agentes envolvidos e aprimora a gestão do turismo local contribuindo para um desenvolvimento mais seguro e sustentável do destino.

A AFV Consultoria oferece diversas soluções apropriadas para seu destino!

Sobre a consultoria

Silvia Basile

Constituímos, em 2002, a Associação Férias Vivas que já trabalhou na elaboração de mais de 40 Normas Técnicas ABNT NBR de Turismo de Aventura. Junto com embaixadores e parceiros, criamos assim padrões de qualidade e segurança nas atividades de turismo no Brasil. Em 20 anos de atuação na área de conscientização e prevenção de acidentes no turismo, esta vivência proporcionou aos consultores da Associação Férias Vivas a capacidade analítica e a experiência prática para a implantação de projetos de gerenciamento de risco em destinos de turismo. Nossa articulação com o setor público se faz eficaz ao comprovar que iniciativas de sensibilização e gestão da segurança são essenciais para o desenvolvimento responsável do turismo.

  • sbasile@feriasvivas.org.br